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Entrevistas

Carlos Lucareski (PV): “Não sou de direita nem de esquerda: sou do povo”

Terça-feira com mais uma entrevistas exclusivas com os vereadores e vereadoras de Mogi das Cruzes.

A proposta é você conhecer quem está na Câmara da cidade e os pensamentos e projetos dos políticos.

Nossa redação já entrou em contato com todos e todas e aguarda a devolutiva de algunsA divulgação das entrevistas será feita conforme as entrevistas forem agendadas e feitas.

Hoje, o bate-papo é com o vereador Carlos Lucareski (PV).

O senhor poderia contar um pouco da sua história?

Nasci no Paraná em Ibiporã e vim para Mogi com 17 anos e. Meus pais são romenos e, quando eles chegaram, meu pai pegou um lote e dividiu: fez uma igreja, uma escola e deu para o governo. Hoje é a Vila Frederico Lucareski em Jataizinho.

Quando viemos para Mogi, fomos para Brás Cubas e estou lá até hoje: moro no Vila Jóia. Nosso bairro era tão carente que, quando chovia, você tinha que colocar um saco plástico no pé para andar. Então, há uns 30 anos, criamos uma associação de bairro e conseguimos creche, asfalto em várias ruas, iluminação que não tínhamos, ônibus não chegava até o ponto quando chovia… Percebi que tudo que a gente tinha planejado, estava dando certo.

O pessoal começou então a falar para eu me me candidatar a vereador. “Será que dá certo?” pensei. A população me incentivou bastante e disse que estaria comigo. Fui candidato três vezes, sempre batia na trave e não entrava. Em 2012, me candidatei novamente e fui eleito com quase 2,2 mil votos.

O senhor não tinha ligação com a política? O que fez o senhor se candidatar então?\

Nenhuma. Nem pensava nisso. Foi a população do meu bairro que começou a me incentivar. Era uma época em que a população tinha os terrenos todos irregulares – não tinha escritura e só um contratinho. Comecei então a fazer usucapião para eles porque sou advogado. Vários moradores precisavam, eram carentes e não tinham condições de pagar –  então, fiz o meu trabalho de graça.

Depois, quando fui eleito para 2013-2016, procurei os vereadores para falarmos sobre as regularizações. Eles me ajudaram, junto com o prefeito, para trazer o projeto de Ação de Regularização Fundiária. 

A cidade tem muitos problemas com essa questão da regularização fundiária. Existe alguma possibilidade de resolver isso? Sabemos que o programa de habitação do governo federal está parado; a cidade não tem uma secretaria de Habitação e nem verba para construir moradia. O que pode ser feito?

Acredito que tem como fazer se nos unirmos. Este projeto de Regularização Fundiária pode ajudar as pessoas e vou tentar fazer isso neste meu segundo mandato. Quando estive na Câmara em meu outro mandato, conseguimos as escrituras dos imóveis totalmente de graça para mais de 800 famílias. As pessoas sentiram firmeza porque isso nunca existiu . Naquela época existia muito loteamento: a pessoa pegava uma fazenda, cortava, ia vendendo e lançava o IPTU. Mesmo que a pessoa quisesse pagar o imposto, o cartório dizia que não tinha registro. Graças a Deus que o meu trabalho como vereador de 2013 a 2016 rendeu bastante.

E, agora, quais serão os pilares do mandato do senhor?

Quero trazer essa demanda das regularizações e dar continuidade nisso – é um trabalho que o povo precisa. Muita gente tem um terreno há 40 anos e não consegue normalizar a documentação. Como advogado, ajudei muito esse povo e, enquanto vereador, a chance de ajudar é muito maior.

Também tem a questão social. Nós temos a Associação Amigos do Bairro Vila Jóia há 30 anos e trabalhamos bastante para ajudar a população do bairro.

Penso muito na população de baixa renda: muitos querem vir fazer alguma reclamação ou pedir alguma ajuda, mas às vezes não têm nem o dinheiro para pagar a passagem. Criei então o gabinete de rua: eu escolhia um dia e ia nos bairros da cidade. Pegava meu carro junto com dois assessores, instalava uma barraca com mesa e cadeira e atendia o povo. Muitas demandas a gente trazia de lá. Hoje, quero dar continuidade nisso. O trabalho não é ficar dentro da Câmara no ar-condicionado. Tem que estar ligado com o que está acontecendo porque cada bairro tem a sua demanda. Quero fazer o que eu sempre fiz e fazer muito mais.

Hoje, quais os problemas que o senhor acredita que a cidade precisa enfrentar a curto prazo? 

Tem a questão das enchentes,  principalmente nos bairros da periferia. Antes de ser eleito, trabalhei na Regional de Jundiapeba e de Brás Cubas e vi de perto os problemas que surgiam quando chovia. Os moradores sofriam demais. Tem muita coisa para melhorar na cidade. Está melhor do que estava antes, mas ainda falta muito para fazermos. Acredito que se o prefeito pegar firme junto com os demais vereadores, podemos melhorar muito. 

Fala-se muito na renovação da Câmara dos Vereadores. Como o senhor vê este momento da Casa?

No momento, ainda está muito cru para eu poder te dar uma resposta. Vamos ver como vai ficar quando as sessões forem se desenvolvendo porque tem muita coisa para se acertar. Precisamos ter um bom trabalho porque um torce pra um e outro torce pra outro. Se começar a torcer, quem sofre é a população. Temos que nos unir para aprendermos mais. Não pode ter divisão.

O senhor é o único vereador do Partido Verde (PV). Isso vai dificultar o trabalho do senhor? Como o senhor acredita que vá ser este diálogo com os demais partidos da Casa?

Em meu outro mandato, fui o único vereador do PPS, hoje o Cidadania. Então, estou no mesmo caminho. Se você tiver mais um colega do mesmo partido, é bom. Se não, você precisa se juntar com os demais para não ficar isolado. Não é porque estou sozinho que não vou fazer o meu trabalho.

No dia em que fui empossado, falei para o prefeito que não sou de direita nem de esquerda: sou do povo. Onde o povo achar que é melhor votar, eu vou estar com eles. Não adianta você falar que vai estar do lado do prefeito ou de outro – foi o povo que me elegeu e temos que trabalhar por ele. 

Então, como o senhor acredita que vá ser a relação do prefeito com a Câmara?

Vejo muitas conversas iniciais e ainda não tenho uma total definição. Vejo que uns querem torcer para um lado e alguns para outro. Gostaria que todos torcessem para o mesmo lado em benefício da população. Temos que estar juntos no que for bom para ela. Não adianta se dividir. Com o decorrer do tempo, acredito que vá melhorar.

O que o senhor espera do mandato do Caio?

Espero que ele faça um bom mandato. Se ele fizer isso, acredito que a Câmara vai estar junto com ele. Eu, principalmente, vou trabalhar para poder estar junto e melhorar. Nós temos que ser transparentes – não adianta esconder nada. Hoje a população mudou. Antigamente você enganava, mas hoje tudo é transparente. O povo está mais esperto.

Vi que o senhor ficou nas comissões de Justiça e Redação e Obras/Habitação/Meio Ambiente/Urbanismo/Semae. Quais são os objetivos delas e o que o senhor pretende fazer?

Na Justiça e Redação, a gente analisa tudo que vai acontecer e os projetos que virão. Não adianta passar a mão em cima do que está errado. Caso tenha problemas, o projeto não pode ser aprovado. Vamos aprovar conforme for bom para todos. A outra comissão é fiscalizar o prefeito, as obras que estão acontecendo, se o ritmo está em um bom caminho… 

Queria fechar perguntando sobre qual o legado que o senhor pretende deixar?

Quero trabalhar muito pela cidade, para que o povo reconheça o que a gente faz. Não adianta você entrar na Câmara e não fazer nada. Quero mostrar o meu trabalho para a população e que eles possam reconhecer que trabalhei para todos. Não vou trabalhar para um ou outro – e sim para a cidade toda.